sábado, 8 de junho de 2013

Enrique Pichon Rivière

Contribuições de Enrique Pichon Rivière

Nascido (1907) em Genebra, Enrique Pichon Rivière, é exemplo de resiliência, pois sua vida é marcada de mudanças bruscas e perdas significativas. Ainda criança, muda-se para a Argentina, depois da morte de sua mãe e da união de seu pai com sua tia (irmã de sua falecida mãe).  Aos 18 anos, inicia os estudos em medicina, mais tarde, se especializa em Psiquiatria e, na Argentina, é quem estreita os laços da psicanálise com a psiquiatria. As máximas pichonianas vão de encontro às tradicionais que dissociam mente e corpo. Por isto, ele também é um referencial para a psicossomática.  

Pichon faz uso da dialética marxista nos estudos das diversas teorias que lhe baseiam e as integra às suas práticas de intervenção são elas: Ciências Sociais, Psicanálise, Psiquiatria e Psicologia Social. A partir de então, desenvolve o ECRO (Esquema Conceitual, Referencial e Operativo), conceituando-o como um conjunto articulado de conhecimento, um sistema de ideias que proporciona linhas de trabalho e investigação, aludindo ao campo, ao segmento da realidade sobre a qual se pensa e opera, possibilitando uma modificação criativa ou adaptativa.

É um aparelho de pensar que está estruturado na mente (a partir das representações internas do sujeito), no corpo (representação do esquema corporal) e no mundo (representações do ambiente ecológico e social do sujeito). É o que permite o sujeito distinguir, sentir, organizar e operar na realidade. Saliente-se que o sujeito pichoniano é visto não em uma situação de harmonia com o mundo, mas em uma relação conflitiva e contraditória. O sujeito aqui é formado, ou melhor, é o resultado da interação entre os indivíduos, os grupos e classes, indicando sua carência de socialização.

Pichon também desenvolve a Teoria do Vínculo, conceituando-o como uma estrutura complexa e multidimensional que abriga sistemas de pensamentos, afetos e modelos de ação, maneira de pensar, sentir e fazer com o outro, que constituem as primeiras sustentações do sujeito e as primeiras estruturas identificatórias que darão início à realidade psíquica da criança. Este preceito pode remeter às socializações primária (que acontece no seio familiar) e secundária (acontece nas demais instituições além da família).

Em sendo assim, admite-se que o sujeito já nasce imerso em uma trama vincular que envolve expectativas em torno dele, antes mesmo do seu nascimento. Há de saber da incapacidade de sobreviver sem a assistência do outro. A presença do outro para o sujeito reconhecer a si mesmo é de extrema importância.

Saliente-se que a noção de Grupo Operativo nasce da técnica terapêutica de atendimento grupal – inclusive utilizava-se dos esportes para tal – que, inicialmente fora destinada a portadores de psicoses, pacientes do Hospital Mercedes, a fim de sua ressocialização. Mais tarde a técnica passa a ser usada nos âmbitos organizacionais, educacionais etc.

O Grupo Operativo é um esquema idealizado por Pichon para avaliar o movimento no interior de um grupo durante a realização de uma tarefa e seu resultado final, quando se tornam manifestos os conteúdos que no início do processo encontravam-se latentes. O princípio básico é promover, por meio de técnicas integrativas, o processo de mudança do grupo. Esta mudança acarreta no medo das perdas das condutas existentes e o medo do ataque da nova situação.

Para auxiliá-lo no funcionamento do Grupo Operativo, Pichon faz uso do que chama de cone invertido, um esquema de vetores que verifica a operatividade no grupo. Estes vetores são:

·    Pertença: sentimento de fazer parte do grupo.
·    Cooperação: contribuição para o desenvolvimento do grupo.
·     Pertinência: centramento nas tarefas.
·    Comunicação: intercâmbio de informações.
·    Aprendizagem: conscientização da natureza real da tarefa.
·   Tele: empatia entre os participantes.

Fonte da imagem: http://blogeleuza.blogspot.com/2008/02/cone-invertido-hpichn-rivire.html

Os indivíduos assumem diferentes papéis nos grupo:

·   Líder de mudança: é o componente que provoca mudança através de sugestões.
· Líder de resistência: é o que tenta manter o grupo na mesma situação em que se encontra, ou seja, é o conservador.
·   Porta-voz: é o que traduz os sentimentos e as ideias que circulam no grupo.
·  Bode expiatório: quem recebe a carga negativa, as reclamações do grupo, deixando-o mais leve e produtivo.
·   Sintetizador: é o que ouve, percebe o que está se passando no grupo.
·  Coordenador: quem sinaliza as dificuldades que impedem o grupo de enfrentar as tarefas. Ele ajuda os membros a pensar.
·  Observador: quem observa silenciosamente e registra suas observações que servirão para as hipóteses acerca do grupo.


Em suma, estas foram algumas das relevantes contribuições de Pichon para as organizações em geral.

PICHON-RIVIÈRE, Enrique. Processo Grupal. São Paulo: Martins Fontes, 1988.

Discente: Edla Gama




Enrique Pichon Rivière


A discussão acerca os postulados teóricos de Enrique Pichon Rivière (1907 – 1977) perpassa diretamente pela sua diferenciada estória de vida marcada pela interculturalidade proveniente de sua precoce saída de seu país natal Suíça para a Argentina, ainda muito pequeno.

Essa mudança pontua sua forma de pensar e agir perante as disciplinas que ele vem a encarar: a Medicina, a Psicanálise, e porque não, as ciências sociais de maneira que ele foi envolvido (em especial na juventude) em vanguardistas movimentos culturais.

Assim atuou como pioneiro em trazer a psicanálise para ‘dentro’ de seu consultório médico e ao fundar a Associação Psicanalítica Argentina (Argentina, aliás, conhecida até hoje pela tradição psicanalítica).

Com o desenvolver das perspectivas conceituais destaca-se: o ECRO "Defino o ECRO como um conjunto organizado de conceitos gerais, teóricos, referidos a um setor do real, a um determinado universo de discurso, que permite uma aproximação instrumental ao objeto particular (concreto). O método dialético fundamenta este ECRO e sua particular dialética" PICHON.

Sempre influenciado pela perspectiva social ele considerou aspectos dialéticos da interação social humana, divergindo do posicionamento praxe até então, destacando a importância do outro na construção do seu construto sobre subjetividade.

Assim o vínculo seria uma importante articulação entre as subjetividades de cada um dos sujeitos, marcados pela interação social, importantes para as significações sociais.

Pichon pontua os diferentes níveis onde essas significações sociais ocorrem, a saber, psicossocial (ao nível do individual), sócio-dinâmico (grupos), institucional e comunitário.

Olhando do século XXI parece que o pensamento de Pichon não fez nada além de esclarecer o óbvio; a relativação cultural se faz importante aqui para compreendermos como esses pensamentos que afirmavam a intervenção direta e indireta do ambiente externo no meio interno do indivíduo.    

Destacam-se ainda os conceitos de Cone invertido – esquema de vetores que envolvem aspectos das interações dentro de um sistema e Grupo Operativo – que seria o movimento em um grupo na realização de uma determinada tarefa assim como seu resultado final: quando se tornam manifestos os conteúdos que no inicio do processo encontravam-se latentes, ou seja, aqueles que estavam na base do cone.

O grupo responsável por guiar a apresentação trouxe ainda os papéis exercidos pelos diferentes sujeitos dentro de um sistema (por ser alguém consciente dos aspectos sociais nas instituições humanas Pichon conseguiu visualizar a execução de papéis como o sabotador, o líder dentro da dinâmica empresarial).

Por fim é importante destacar o aspecto visionário de Pichon ao compreender os sistemas e a própria modernidade como estrutura complexa, mutável que se recicla, se altera e evolui continuamente.

Referência

Artigo publicado originalmente na página Webhttp://www.geocities.com/Athens/Forum/5396/ecro.html da Escuela de Psicología Social del Sur - Quilmes - Argentina, aqui publicado com a gentil autorização da autora.

Tradução para o português de Marco A. F. Velloso

** Gladys Adamson é diretora da Escuela de Psicología Social del Sur e da Escuela Argentina de Psicología Social. Artigo publicado no site do InterPsic: Disponível em: <http://www.interpsic.com.br/saladeleitura/EcroPichon.html> São Paulo. 2.000

Discente: Taís Lima

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações & Situação da Formação e das Atividades de Trabalho

Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações (Dejours) & Situação da Formação e das Atividades de Trabalho (Zanelli)

Através de seus estudos acerca das psicopatologias como oriundas dos ambientes de trabalho, Dejours tem contribuído para conceituação do sofrimento, bem como a investigação de sua etiologia, sugerindo que suas raízes encontram-se na relação do homem com o trabalho.

Seu despertar para o sofrimento humano emerge dos aspectos que envolvem a revolução industrial e o capitalismo: crescimento da produção, robotização, mecanização, fragmentação das tarefas, êxodo rural, dentre outros.  A precariedade da época era de se assustar, pois os trabalhadores viviam menos, o número de acidentes era elevado, o trabalhador não tinha apoio de leis trabalhistas. A situação era de sobreviver, como trabalhar só para ter o pão, e não viver além das necessidades fisiológicas. Esta situação, inclusive, fora chamada de “miséria operária”.

O sistema rígido do trabalho torna o ambiente organizacional opressor, ameaçador, sacrificante, fazendo emergir uma sensação de incapacidade no trabalhador e, consequentemente, seu sofrimento, desequilibrando-o psiquicamente, o que é refletido no corpo. Desta forma, o sujeito torna-se vítima do seu trabalho, embora seja beneficiado pelo mesmo.

Dejours descreve os sofrimentos insuspeitos que influenciam, a favor ou contra, no desenvolvimento do sujeito no ambiente de trabalho. São eles: o sofrimento singular que abrange uma dimensão diacrônica da vida do sujeito, pois é construído no decorrer da sua vida psíquica; sofrimento atual, que se encontra em uma dimensão sincrônica; o sofrimento criativo, que faz com que a pessoa desenvolva estratégias defensivas para lidar com as opressões da organização do trabalho e consiga manter sua saúde; e o sofrimento patogênico. Este funciona de modo contrário ao anterior: aqui a ação produzida pelo sujeito é desfavorável para a sua saúde.

Em sendo assim, sofrimento mental se constitui na luta do sujeito contra as adversidades da organização do trabalho, que pode acarretar a doença mental, pois em sua dinâmica, pode proporcionar elementos que favoreçam a saúde ou o processo de adoecimento.

Enquanto psicólogos em formação, há de pensarmos em nossa prática profissional no ambiente organizacional. Para tanto, conta-se a contribuição de Zanelli que trata em seu texto “situação da formação e das atividades de trabalho”, de importantes questionamentos sobre a formação e atuação do psicólogo organizacional no Brasil.

Ele se debruçou sobre a identificação e a análise das necessidades do psicólogo e das demandas organizacionais. Questões como o processo de ensino, conhecimento, habilidade, abordagens teóricas, métodos, instrumentos, atuação, profissional, dentre outros, são abordados.

Zanelli faz crítica ao processo de ensino, pois direciona a formação dos psicólogos para o modelo médico, não preparando psicólogos organizacionais, considerados agentes de mudança, devendo estar preparados para as demandas sociais, dos trabalhadores etc. A atual prática universitária dificulta a transformação dos ambientes organizacionais. Sugere-se que haja mudança nas matrizes curriculares ou que ampliem a formação organizacional para atender as demandas da contemporaneidade.

DEJOURS, C. Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações. In: CHANLAT, J.F. O indivíduo na organização. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 1996.


ZANELLI, J. C. Situação da Formação e das Atividades de Trabalho. In: ______ O Psicólogo nas Organizações de Trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2009.

Discente: Edla Gama



Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações (Dejours) & Situação da Formação e das Atividades de Trabalho (Zanelli)


No texto “Situação da Formação e das Atividades de Trabalho” Zanelli (2009) destaca a precariedade do ensino da psicologia como ciência sobressaindo-se a matéria psicologia organizacional, apontando algumas possíveis causas para que isso aconteça. 

O autor prossegue abordando a história da psicologia organizacional no Brasil, com paralelos entre a institucionalização da profissão com o desenvolvimento da psicologia clínica em detrimento da organizacional e da educacional.

O texto aborda ainda as amplas funções (muitas das quais desconhecidas) dos profissionais organizacionais destacando que muitas vezes além de não terem contato com muitas delas na sua formação eles ainda se apresentam despreparados para muitas das atividades que lhes são atribuídas. O que causa uma ‘má impressão’, no meio trabalhista com uma estereotipação que atinge inclusive aqueles que se inserem na academia já direcionados para a atuação clínica (associada erroneamente a um liberalismo ocupacional). 

Tive uma sincera dificuldade em traçar um paralelo entre os dois textos trabalhados, uma vez que eles estão trabalhando temas com perspectivas completamente distintas e não pude acompanhar a discussão que costuma esclarecer muitos aspectos do tema semanal, mas destacaria o subtópico quase final do texto de Zanelli sobre o predomínio do modelo médico que, ao elucidar sobre como esse modelo remediativo de ‘reinserção na normalidade’ confere status a psicologia clínica dentro da Psicologia geral. Esse modelo reflete diretamente na maneira como esse psicólogo irá se inserir na organização (o autor destaca que os psicólogos organizacionais vêm de formações clínicas).

Assim ele entra na empresa com o ideal de adaptar o profissional as condições – muitas vezes adversas – de trabalho.  

Esse pensamento ‘bate de frente’ com a proposta de Christhophe Dejours (1996). A afirmação de que ao mesmo tempo em que o homem é beneficiário do trabalho, ele é uma vitima dele, sem dúvida sintetiza e reflete os direcionamentos que o autor toma em suas abordagens teóricas sobre o trabalho.

Seguindo por uma linha psicanalítica o autor aborda diferentes aspectos presentes na psicodinâmica trabalhista, remetendo a conceitos que o sujeito operário trás consigo para a execução do trabalho, como o jogo infantil, o teatro do trabalho, e os elementos por trás da escolha da profissão; destacando entrelinhas que ao contrário do que se preconiza o trabalho não é uma condição intrínseca do homem; pelo menos não a exploração do trabalho alheio.

Dejours destaca ainda algumas classificações do sofrimento, sendo que as que mais me chamaram atenção foram dois opostos: o sofrimento criativo – aquele que se torna produtivo e eficiente e o sofrimento patológico – que pode estar por trás de muitas somatizações trabalhistas mundo afora.


O sofrimento, no entanto destaca o autor se origina na história de vida desse sujeito e se reproduz no seu trabalho, sendo este sim intrínseco a condição humana. Não sei se eu não consegui captar ou se não era a intenção do autor abordar qual então seria a função do psicólogo nessa instituição.

Referência:

ZANELLI, J. Carlos. Cap. I. Situação da Formação e das Atividades de Trabalho. O Psicólogo nas Organizações de trabalho..

DEJOURS, C. Uma nova visão do sofrimento humano nas organizações. In: CHANLAT, J.F. O indivíduo na organização. 1ª ed. São Paulo: Atlas, 1996.

Discente: Taís Lima

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Emoções e afetos no trabalho


Emoções e Afetos no Trabalho (Gondim e Siqueira)

Gondim e Siqueira (2004) conceituam e diferenciam emoção e afeto. O primeiro tem relação com o funcionamento do sistema fisiológico e, consequentemente, o comportamental, pois são provocados por estímulos internos e externos que auxiliam de maneira importante a sobrevivência, compondo os sistemas de defesa e ações diversas. A emoção tem caráter instintual. Quanto ao afeto, este se refere ao sentimento que tem forte relação com a cognição que, por sua vez, é constituída por processos que envolvem o conhecer, ou seja, a aquisição do saber; envolve raciocínio, julgamento, interpretação.

É necessário observar que afeto, sentimento, cognição e emoção então em constante relação. Para teorizar essa máxima Gondim e Siqueira recorrem a diversas – e discordantes por muitas vezes – correntes do conhecimento, desde as de cunho biológico até as filosóficas, trazendo, respectivamente, discussões que tangem o que é orgânico, fisiológico, motor, psicológico, social, já que envolve a representação que a pessoa faz do que está sentindo.

As autoras apresentam a importância das emoções e dos afetos no contexto organizacional, embora este seja um ambiente que se prega a razão como base. O descrédito a esses conceitos se dá por conta de as teorias organizacionais não terem considerado o quanto as emoções e os afetos influenciam no clima de bem-estar organizacional, na produtividade e saúde do trabalhador. E ainda, não percebiam a relação entre emoção e razão. Atualmente, as teorias estão trabalhando pra dar conta desta afinidade, principalmente nas organizações que são constituídas por seres da relação, pois assim somos constituídos. Afinal de contas, o homem é um ser social!


Na contemporaneidade, o homem passa mais tempo no ambiente de trabalho do que no próprio lar, de maneira geral. Por tanto, é, muitas vezes, onde ele expressa sua emoções e afetos o que pode desencadear hostilidade, agressão, angústia, dentre muito outros, que vão influenciar a dinâmica indivíduo-grupo-equipe. É justamente nesse ponto, principalmente, que há necessidade da intervenção do psicólogo, pois tem a capacidade de identificar e lidar com as manifestações de emoções e afetos a fim de preservar a saúde dos trabalhadores  e tentar equilibrar o ambiente organizacional.

GONDIM, Sonia Maria; SIQUEIRA, Mirlene Maria. Emoções e Afetos no Trabalho. In: Zanelli, Jose Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo; BASTOS, Antonio Virgilio. Psicologia, Organizações e Trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2004.

Discente: Edla Gama

O texto de Gondim e Siqueira inicia destacando o quão subestimado foram as emoções no ambiente de trabalho durante grande período de desenvolvimento das teorias administrativas. Esse quadro só começa a mudar a partir da noção de que compreender os sentimentos, afetos e emoções ajudaria a lidar com as influencias externas vivenciadas todos os dias pelos trabalhadores e que refletem diretamente em seus posicionamentos frente ao trabalho, a motivação e a produtividade.
A partir desses pressupostos os autores iniciam mais um apanhado histórico sobre estudos relacionados às teorias as emoções. Aborda-se as diferentes perspectivas: biológica, filosófica, fenomenológica, comportamental, cognitiva, clínica e social; que juntas traçaram teorias sobre as emoções – relacionadas a prontidão do organismo e a expressão motora; os sentimentos – a interpretação subjetiva do que está acontecendo internamente e externamente; e os afetos que em linhas gerais abarcariam os sentimentos, os humores e os temperamentos humanos.
As perspectivas teóricas acima citadas embora abordem os mesmos temas apresentam três linhas de discordância relacionadas a: qual a função que a emoção cumpre na vida humana. Como ocorre esse processo emocional. E o nível de consciência das respostas emocionais.
Como são muitas teorias, com muitas afirmações destoantes, vou me ater aos aspectos que mais me chamaram atenção, por exemplo, enquanto a perspectiva biológica associa as emoções diretamente a sobrevivência da espécie (que teria selecionado as emoções de acordo com sua importância na manutenção da vida); a perspectiva do construtivismo social atribui esse embarreiramento (do que se é ou não socialmente aceitável demonstrar emocionalmente) a elementos culturais. Fiquei pensando se ninguém parou para unir uma coisa à outra afinal conviver bem, ser bem aceito socialmente é uma forma de manutenção da vida.
Outra discordância que me chamou atenção foi no que concerne a relação entre cognição e emoção que basicamente marca a diferenciação entre a psicanálise e as teorias cognitivas: enquanto a primeira acredita na expressão dos processos não conscientes, os cognitivistas propagam a inter-relação  entre a cognição, a conação (o querer) e a afetividade.
No contexto trabalhista é importante conhecer essas diferenciações para saber qual a melhor teoria que pode ser aplicada em se tratando de melhorar as relações estabelecidas no ambiente trabalhista. Como isso requer a utilização da racionalidade as teorias cognitivistas levam vantagem por abordar temas e tópicos que são muitas vezes mais ‘visíveis’ e presentes para a administração.
Nesta conjuntura administrativa essa relação entre razão e emoção, aliás, desempenha papel fundamental e também gerou algumas discordâncias, a saber: a primeira é pioneira em afirmar que há uma relação de interdependência e não de exclusão entre razão e emoção, essa é nomeada perspectiva inglesa dos subsistemas técnico, psicossocial e gerencial; a segunda perspectiva apresenta utilidade à utilização adequada das emoções, através do conceito de racionalidade limitada (?) de Simon (1979). A terceira perspectiva assemelha-se com a primeira, mas diferencia-se por acreditar que a racionalidade na verdade é um mito.
Prosseguindo o texto apresenta mais vários grupos de teorias distintas que me confundiram muito; tive que voltar algumas vezes pra relembrar o que a teoria anterior falava, pois se antes elas pareciam falar de coisas muito semelhantes agora elas falam de componentes bem distintos. A começar pelas manifestações afetivas no trabalho; que envolve de padrões de personalidade, a medida de inteligência emocional, passando por processos mentais e pelas teorias da atitude.
O tópico sobre as condições no trabalho, no entanto, me chamou atenção por abordar de maneira um pouco mais clara conceitos que eu desconhecia como o Burnout, por exemplo, que é uma espécie de síndrome da exaustão e que envolve diretamente mecanismos afetivo-emocionais dos indivíduos.
Para finalizar os autores vão trazer como o profissional psi pode intervir e atuar nesse ambiente; de maneira geral esse profissional se envolve nas relações trabalhistas através do autogerenciamento de emoções e o gerenciamento organizacional; através das múltiplas possibilidades de integrar a emoção e a razão no contexto organizacional. Para pontuar e finalizar os autores apresentam cinco possibilidades de intervenção do psicólogo organizacional:
a)    Identificar os fatores do contexto do trabalho que colocam em risco o bem estar emocional dos trabalhadores;
b)    Sensibilizar a alta direção da organização para a necessidade de informar e dar transparências aos processos de mudança;
c)    Treinar gerentes e empregados para sua melhor capacidade de auto e hetero gerenciamento emocional;
d)    Criar espaços institucionais que viabilizem a canalização de emoções negativas decorrentes de experiências interpessoais desprazerosas;
e)    Gerenciar o uso do ‘trabalho emocional’ que prejudica a demonstração das verdadeiras emoções.


ZANELLI, J. C., BORGES-ANDRADE, J. E. & Bastos, A. V. B. (2004). Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed.
Discente: Taís Lima

terça-feira, 14 de maio de 2013

Motivação no trabalho & Linguagem do corpo, gestualidade e comunicação


Motivação no Trabalho (Gondim e Silva) & Linguagem do corpo, gestualidade e comunicação (Feyereisen e Lannoy)

O primeiro texto citado no título acima discute o conceito de motivação como “uma ação dirigida a objetivos, sendo auto-regulada, biológica ou cognitivamente, persistente no tempo e ativada por um conjunto de necessidades, emoções, valores, metas e expectativas” (Gondim e Silva 2004, p.146). Também é apresentado o valor que a motivação desempenha sobre as organizações que, sem dúvida, é composta predominantemente por pessoas que, estando desmotivadas representa “prejuízo” para a empresa, pois, quanto menos motivação, menos produtividade, dentre outros fatores. Abaixo estão alguns fatores que são inerentes à motivação:


  •    Ativação: que foca o estado inicial da pessoa, quer entender por quais estímulos a pessoa é ativada, se extrínsecos (relacionados à insatisfação) ou intrínsecos (relacionados à satisfação).
  •   Direção: que envolve o alvo da ação. Seria quando o indivíduo é determinado a desempenhar uma tarefa de acordo com aquilo que deseja alcançar.
  •   Intensidade: relaciona-se à força de ação, o que impulsiona a pessoa a seguir na direção suscitada.  
  •     Persistência da ação: consiste na perseverança da pessoa em alcançar o seu objetivo.

Há ainda inúmeros fatores motivacionais como os diversos benefícios, o ambiente físico da organização, a representação social do colaborador quanto ao seu trabalho, plano de carreira, bem como as demais necessidades já estudadas na “pirâmide” de Maslow.

Pode-se inferir com a leitura, que há relação entre motivação e produtividade, embora seja algo de difícil aferição, pois segue de pessoa para pessoa. Porém, contamos com uma importante contribuinte para ajudar a diagnosticar a desmotivação de um funcionário: a linguagem do corpo, os gestos que são formas de comunicação, pois transmitem uma mensagem, como sugerem Feyereisen e Lannoy.

Os movimentos do rosto e corpo, os gestos, a postura, a aparência física comunicam pensamentos, emoções como uma maneira de expressão mais natural, nos fazendo, enquanto observadores, ter uma impressão do que está acontecendo com os componentes de uma organização. Muitas vezes os gestos são espontâneos, feito os atos falhos, outras, são propositais, conscientes. Há os gestos personalizados da satisfação, bem como os da insatisfação. Abaixo segue uma pequena lista de gestos e possíveis significados:


  •   Ausência de gesticulação = comunicação desprazerosa;
  •   Autoagressão = timidez;
  •  Bocejo = sono, desinteresse;
  •  Braço cruzado = autodefesa;
  • Coçar a cabeça = dúvida, insegurança;
  • Manipulação contínua de objeto = ansiedade


A partir de uma percepção astuta do que pode estar ocorrendo durante um seleção de trabalhadores ou no interior da organização, pode-se inferir para qual cargo a pessoa seria melhor adaptável, pode-se planejar estratégias para intervir no clima organizacional cuja importância para o bem-estar dos funcionários é imprescindível para o desenvolvimento do trabalho destes. Para tanto, é imprescindível interpretar as mensagens adequadamente.  

GONDIM, S. M. G; SILVA, N. Motivação no trabalho. In: ZANELLI, J. C. BORGES-ANDRADE, J. E. BASTOS, V. B. (Orgs.) Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FEYEREISEN, P; LANNOY, J.D. Linguagem do corpo, gestualidade e comunicação. In: CHANLAT, J.F. (Org.) O indivíduo na organização: dimensões esquecidas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1994.


Discente: Edla Gama.


Motivação no trabalho e Linguagem do corpo, gestualidade e comunicação

O texto motivação no trabalho de Gondim e Silva define, contextualiza e desenvolve a definição de motivação, conceito amplamente trabalhado nas teorias da psicologia, principalmente as que envolvem as perspectivas organizacionais;
Motivação por conceito deriva do latim motivus, que significa mover, assumiu o significado de “tudo aquilo que pode fazer mover” ou ainda “aquilo que causa ou determina alguma coisa”. Motivação implica então em ação.

É sob a perspectiva de que a motivação é cada vez mais um conceito que evidencia aspectos biológicos, históricos e culturais que os autores do texto traçam um breve, porém detalhado histórico acerca das teorias motivacionais.

Os autores categorizam três modelos da motivação – são eles: os que dividem as teorias da motivação em dois grupos (teoria do conteúdo e teoria de processo); os que (re) classificam as teorias de motivação sob os aspectos de conduta e de cognição. E o modelo que ordena as teorias da motivação de acordo com sua proximidade da ação.

Nessa seção do texto; os autores aprofundam as teorias e seus contextos históricos o que não me cabe aqui, entretanto gostaria de destacar os principais conceitos acerca da motivação e sua relação com conceitos como satisfação e desempenho. Esses outros fatores, que mediam essas relações, são importantes entre eles está: o significado que o trabalho realizado possui para quem o realiza; O sistema de recompensas e punições das organizações; A relação com a gerência e com os companheiros de trabalho; Convergência entre os valores individuais e organizacionais. 

Faço aqui um breve aporte com o segundo texto trabalhado por nós Linguagem do corpo, gestualidade e comunicação de Pierre Feyereisen e Jacques Dominique De Lannoy que destacaria como a linguagem corporal pode, por exemplo, ser vista enquanto fator importante de mediação no ambiente de trabalho.

Através da linguagem corporal pode se passar uma ideia de motivação ou desmotivação e esse é um fator importante a se considerar. E assim como a motivação envolve aspectos culturais e sociais, exibimos diferentes comportamentos em diferentes situações, não é mesmo?

Pierre e Jacques destacam no seu texto a existência de elementos intrínsecos ao repertório comportamental humano onde surge o medo, a agressividade, aspectos sociais e de gênero além dos motivacionais. 

Os autores classificam os estudos acerca da linguagem corporal em três grandes grupos: aqueles que analisam a importância/conteúdo da linguagem corporal; aspectos filogenéticos da linguagem corporal; e a comunicação não verbal enquanto sistema próprio.

A etiologia é um importante aporte teórico tanto para os estudos motivacionais quanto para os de linguagem do corpo. Afinal o que nos motiva enquanto espécie? O que motiva as espécies de uma forma geral? Ontologicamente foi se buscar a raiz dos sistemas motivacionais em indeterminadas situações, ou seja, de onde vem à motivação humana/animal? Os animais tem na procriação um ato instintivo de perpetuação da espécie, mas há muito tempo já o ser humano não se relaciona sexualmente apenas por objetivo de reprodução. Da mesma maneira se dá a alimentação: o animal alimenta-se pela necessidade; no ser humano essa necessidade é permeada por outro fator intrínseco a motivação: o desejo.

Esses estudos lançam luz sobre determinadas questões: agrupando seções com características similares (idade, sexo, classe social) pesquisadores analisavam as maneiras de reagir e se comportar aos estímulos, essas repostas compôs o amplo repertorio motivacional que o ser humano pode apresentar: nem sempre o que me motiva vai motivar o fulano A, B ou C.

Isso ocorre porque comportamentos pertencentes a um mesmo grupo dependem e envolvem fatores diferentes, assim uma forma de modo de produção, recompensa ou punição pode ser extremamente motivadora para algumas pessoas enquanto para outras pode funcionar como causa de insatisfação.

É por essa razão que tem se desenvolvido tantas pesquisas sobre a motivação humana buscando adequar teoria a prática; os autores de ‘Motivação no trabalho’ destacam a necessidade de ampliar e desenvolver as comprovações e aplicações desses estudos. 

GONDIM, S. M. G; SILVA, N. Motivação no trabalho. In: ZANELLI, J. C. BORGES-ANDRADE, J. E. BASTOS, V. B. (Orgs.) Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FEYEREISEN, P; LANNOY, J.D. Linguagem do corpo, gestualidade e comunicação. In: CHANLAT, J.F. (Org.) O indivíduo na organização: dimensões esquecidas. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1994.


Discente: Taís Lima


quarta-feira, 8 de maio de 2013

O Mundo do Trabalho & Os Sentidos do Trabalho

O Mundo do trabalho (Borges e Yamamoto) & Os Sentidos do Trabalho (Morim)

O texto supracitado descreve o desenvolvimento histórico do conceito de Trabalho, que surge com a ideologia de construir a sociedade de bem estar identificando e explanando a origem das mudanças no mundo do trabalho.

Trabalho é visto sob duas ópticas: a primeira o tem como ação de sacrifício, fardo, castigo, já que tem origem do latim, da palavra Tripalium, que seria Punição. A segunda, o vê como empenho, esforço, pois, para exercê-lo, faz-se uso de capacidades.

Fazendo um breve percurso histórico, o trabalho, de acordo com a Filosofia Clássica (Platão), é algo degradante, inferior. Por isto era restrito aos escravos. Já no Império Romano, Oriente e Grécia, ele é visto como sagrado.

No texto, os autores apresentam as consequências das Revoluções Industriais, bem como da emergência do capitalismo que deram origem ao emprego (transformação do trabalho em mercadoria), já que as empresas (capitalismo) detêm os meios de produção e, consequentemente, o produto é seu; enquanto o trabalhador tem a força de trabalho, a qual “vende” (mais-valia) ao capitalismo, por meio do “contrato de trabalho”. Então há o que já nos é sabido: divisão do trabalho, introdução da máquina etc.

Atualmente, há uma forte perspectiva de dignificação quanto ao trabalho – influência da Reforma Protestante que deu ênfase moral ao trabalho – porque permite uma relação do homem com a natureza, já que sua transformação (da natureza) se dá por meio do trabalho humano, aspecto que o diferencia dos demais animais.

Essa última ideologia defende que o trabalho seja feito de maneira disciplinar, planejada e padronizada, exigindo cooperação dos trabalhadores. Saliente-se que, a partir da segunda Revolução Industrial, há, de certa maneira, a intervenção dos princípios científicos da administração, por meio de Taylor, Fayol, Henry Ford, Keynes, trazendo, de maneira geral, as ideais formalistas, mecanicistas, naturalísticas e hedonistas para o funcionalismo do emprego e baseando a sociedade de bem-estar.

Atualmente, o trabalho é visto como categoria social demandando dinâmica das organizações e dos trabalhadores, agregando os sentidos do trabalho – que seriam a representação social do trabalho nas diversas sociedades – cuja influência sobre a motivação, satisfação e, consequentemente, a produtividade dos “colaboradores” deve ser considerada. Para tanto, há de convir que as organizações necessitam de constante reestruturação visando as relações de trabalho e o saber lidar com as crises nesta área.

BORGES,L.O; YAMAMOTO,O.H. O Mundo do Trabalho.Disponível em: http://xa.yimg.com/kq/groups/24137146/956932885/name/Texto+1++Mundo+do+trab.+(Borges+e+Yamamoto).pdf Acesso em: 05/05/2013.

MORIM, E.M. Os Sentidos do Trabalho. Disponívem em:
<http://www.scielo.br /pdf/rae/v41n3/v41n3a02.pdf> Acesso em: 05/05/2013.

Discente: Edla Gama



Os sentidos do trabalho e O Mundo do trabalho

Os textos trabalhados nessa semana tratam do trabalho sob duas perspectivas diferentes que se complementam: em ‘Os sentidos do trabalho’ Morin (2002), aborda através de uma pesquisa realizada com estudantes e profissionais da administração, temas relacionados ao universo trabalhista: Identificação. Satisfação, motivação e desempenho entre outros. Em o mundo do trabalho os autores do artigo abordam o trabalho sob uma perspectiva histórica e mais conceitual, diferenciando termos como trabalho, labor e emprego (confesso que nunca tinha identificado essas pequenas diferenças) além de trazerem através dessa linha temporal as mudanças nas perspectivas do trabalhador.   

Se no primeiro texto ocorre a presença de conceitos como o trabalho através de perguntas como “O que é o trabalho?” no segundo a definição de trabalho será mais pontual porém não menos completa, traça-se o perfil de exploração do modelo capitalista.
Os dois se tocam e se complementam no sentido de serem ambos escritos como um olhar a mais acerca as diferentes significações sociais do ‘trabalho’ não apenas enquanto atividade, mas como função fundamental do que é ser humano.

Quando Borges e Yamamoto (2004) abordam o conceito de bem estar social, por exemplo, a construção desse modelo que propunha a organização pautada no Taylorismo – Fordismo; a acumulação de capital e o modo de regulação de conflitos extremamente organizacionais; ele está traçando um histórico que delineia a base do mercado de trabalho atual, onde produzir é igual a comprar.

Embora ‘Os sentidos do trabalho’ apresente uma leitura fácil; são interessantes as interpretações que sentidos do trabalho nos evoca uma vez que ele nos apresenta diferentes visões de grupos com diferentes óticas sobre o que estar no mercado de trabalho. Permite - nos assim pensar também sobre o que nós vemos de mercado de trabalho.

Ao ler ‘Mundo do trabalho’ repensei um conceito que cheguei a apresentar aqui de que o Brasil teria uma visão mais exploratória devido a seu histórico escravagista (o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão); na verdade o texto apresenta de forma bem articulada que desde sempre e em todas as partes do mundo o trabalho sempre implicou de alguma maneira o exercício e a exploração. Entretanto, reitero dizendo que ainda somos intimamente ligados a essa questão exploratória; vejamos os índices de desigualdade social no nosso país, é absurdo.  

Mas voltando aos textos, em síntese destacaria a importância como pretensa futura integrante de uma classe trabalhista (que, aliás, me parece um pouco desengajada nas questões trabalhistas da Psicologia), de ler e discutir esses temas que nos levam a refletir além do que está sendo dito ali. Muitas coisas podem parecer ‘obvias’ mas quando nos deparamos com elas teorizadas e abordadas com novas roupagens descobrimos um mundo de informações úteis não apenas na pratica profissional, mas a nossa constituição enquanto cidadãos.

ZANELLI, J. C., BORGES-ANDRADE, J. E. & Bastos, A. V. B. (2004). Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed.
MORIN, E. (2002). Os sentidos do trabalho. In T. Wood (Ed.), Gestão empresarial: O fator humano (pág. 08-19). São Paulo, SP: Atlas.

Discente: Taís Lima.